em algum lugar eu existo separado dessa página
essa gaiola de sons & signos

fernanda drummond
paisagem:1
fernanda drummond

aolongodohorizontecresciaumalinhainquebráveldeárvores
For he looks happy & doesn’t know I’m looking & that makes his
happiness free.

Chen Chen
My weakness is that I listen.
Chen Chen
every step carrying the love who left, the love you left
- chen chen
I’m envious of the clouds who can from time to time
fall completely apart & everyone just says, It’s raining,

& someone might even bring cats & dogs into it,
no one says, Stop being so dramatic or You should see
a professional.

Chen Chen
Hamlet hirsute 
Terese Svoboda

Who goes there? Hamlet
hirsute, furred as an old pickle,
dragging the skull as toy.

His chest hair waves:
To be or not? or Tis nobler—
whatever. Check the curtain.

Spy vs. spy vs. spy—
we’re community, all healthy
curiosity. Ophelia doesn’t sleep,

she circles her bowl,
eyes alert to all sides,
I’s everywhere.

When nine of the elect
stand on chairs, we ask:
How high are those chairs?

They grow so old whispering
their lips whisker,
their tongues shake.

If we didn’t have ears—
Instead they say
How soon can we sit?
Querido diário, 

Uma tese de doutorado que eu poderia ter lido há 18 anos, só li agora. 
Entendo como a pessoa que a escreveu ficou desapontada. A tese é linda.

Trocando a palavra pronome pela palavra amor, termino a leitura assim: 
O amor não deve ser tratado como uma unidade indivisível.

Me desculpe o atraso, pessoa.

- AR
E tantos universos são esquecidos
Quem são os grandes esquecedores
Quem vai nos fazer esquecer essa ou aquela parte do mundo?

- Guillaume Apollinaire citado em O Encanto dos Marinheiros Azuis (1975)
A própria recusa da moda vira, em si, uma moda: e é comoditizada, vira dinheiro.
- Luiz Felipe Pondé, Linhas Cruzadas (13/08/2026)

Não vejo que o humanismo, nas suas possíveis acepções, implique necessariamente na ideia ou na crença de progresso moral ou de perfectibilidade humana.

A ideia de progresso moral vem sendo discutida na filosofia desde Platão, como, aliás, quase tudo. E, no século XIX, você tem o que talvez seja o século de ouro da crença na perfectibilidade humana e na ideia de progresso moral. Ela aparece tanto no utilitarismo do John Stuart Mill — ali seria incremental e graças à educação: o ser humano se tornaria moral e intelectualmente cada vez mais aperfeiçoado —, quanto também no marxismo.

Eu posso dizer, com tranquilidade, que o século XX foi muito cruel com as expectativas de utilitaristas e marxistas em relação à maleabilidade e à plasticidade da natureza humana. Tivemos avanços importantes no campo da moral e das relações humanas, basta mencionar a questão de gênero — as mulheres sequer votavam até a Primeira Guerra Mundial.

Mas, depois das experiências desastrosas da primeira metade do século XX, como foram o fascismo, o nazismo e as guerras mundiais, e depois desses retrocessos que nós estamos acompanhando mais recentemente, mais ligados à ascensão de uma extrema direita muito retrógrada no campo dos costumes, eu acho que fica muito difícil alimentar maiores expectativas em relação a essa noção de perfectibilidade humana.

O humanismo não depende dela. Colocar o ser humano no centro das preocupações do próprio homem e a dignidade humana como alguma coisa decisiva na nossa reflexão sobre o mundo não implica acreditar em progresso moral ou perfectibilidade humana.

- Eduardo Giannetti, Linhas Cruzadas (13/08/2026)

THAÍS
Há uma diferença fundamental entre o Nietzsche e o Cioran [mesmo sendo, os dois, extemporâneos]. Qual é essa diferença, Pondé?

PONDÉ
O Cioran traz o debate da utopia política como uma grande ilusão, com relação à história, porque o caráter extemporâneo dele aparece principalmente em não crer no progresso político e social. 
E o Nietzsche é constantemente acusado, apesar de ter feito todo esse movimento do extemporâneo, de ter produzido uma utopia, que é o próprio super-homem.

Linhas Cruzadas (13/08/2026)
Even if you have no reason to get up in the morning, you will.
- John Gray
When you return / I will trade my face / For your mirror.
Shangyang Fang