- Tony, Seconds (1966)
ARAR
so what if this euphoria is only ephemeral
if tomorrow i find the night absconded
with my smile
if the man i love turns over in his sleep
and becomes a hollowed out gourd
with a horror mask face
if every object of my intimacy becomes ash
i will still thank each marked and unnamed chemical
for making oblivion in my blood
dopamine mephedrone amphetamine
you bring opalescence to the meat
you make the abattoir smell sweet
- sam sax
DEMÉTRIO MAGNOLI
Será que a hiperpolitização torna a política impotente, incapaz de realizar mudanças?
Quem primeiro falou em hiperpolitização foi Hannah Arendt, e ela se referia aos regimes totalitários, ao regime de Stalin na União Soviética, ao regime de Hitler na Alemanha nazista. O que que ela constatou? Ela constatou que a política daqueles regimes totalitários invadia todas as esferas da vida. Havia política na literatura, porque os autores tinham que se filiar a entidades de autores ligadas ao partido dirigente e partido único. Os artistas tinham que fazer o mesmo. Os esportistas tinham que se filiar e fazer parte de associações ligadas ao partido. Então, toda a vida pessoal e profissional das pessoas estava embebida de política e a política escorria por todos os poros. Isso era uma característica dos regimes totalitários.
O curioso, interessante e triste é que há algumas décadas, não começou hoje, outros movimentos de esquerda e de direita hiperpolitizam a vida. Isso começou lá nos anos 60, 70, quando surgiram as políticas do corpo, as políticas do sexo, e isso se desenvolveu com a política identitária. As políticas de negros, de mulheres, de LGBT, as políticas identitárias em geral de latinos nos Estados Unidos e ainda com as políticas aí pela direita, as políticas ligadas à religião, que é uma outra forma de política identitária. Então, partidos que passam a ser, na verdade, ligados à fé religiosa, ligados a igrejas, correntes políticas que se apoiam nas ideias religiosas. Isso acontece também, mas aí já não é Ocidente, com o fundamentalismo muçulmano.
Tudo isso faz com que a política, que nem me parece que se torne impotente, mas se torne tribalista.
LUIZ FELIPE PONDÉ:
Ele deixa claro que há autoritarismo nas políticas identitárias. Muita gente vem falando disso. Quando a política sai do lugar e toma todos os lugares, ela fica autoritária.
Será que a hiperpolitização torna a política impotente, incapaz de realizar mudanças?
Quem primeiro falou em hiperpolitização foi Hannah Arendt, e ela se referia aos regimes totalitários, ao regime de Stalin na União Soviética, ao regime de Hitler na Alemanha nazista. O que que ela constatou? Ela constatou que a política daqueles regimes totalitários invadia todas as esferas da vida. Havia política na literatura, porque os autores tinham que se filiar a entidades de autores ligadas ao partido dirigente e partido único. Os artistas tinham que fazer o mesmo. Os esportistas tinham que se filiar e fazer parte de associações ligadas ao partido. Então, toda a vida pessoal e profissional das pessoas estava embebida de política e a política escorria por todos os poros. Isso era uma característica dos regimes totalitários.
O curioso, interessante e triste é que há algumas décadas, não começou hoje, outros movimentos de esquerda e de direita hiperpolitizam a vida. Isso começou lá nos anos 60, 70, quando surgiram as políticas do corpo, as políticas do sexo, e isso se desenvolveu com a política identitária. As políticas de negros, de mulheres, de LGBT, as políticas identitárias em geral de latinos nos Estados Unidos e ainda com as políticas aí pela direita, as políticas ligadas à religião, que é uma outra forma de política identitária. Então, partidos que passam a ser, na verdade, ligados à fé religiosa, ligados a igrejas, correntes políticas que se apoiam nas ideias religiosas. Isso acontece também, mas aí já não é Ocidente, com o fundamentalismo muçulmano.
Tudo isso faz com que a política, que nem me parece que se torne impotente, mas se torne tribalista.
LUIZ FELIPE PONDÉ:
Ele deixa claro que há autoritarismo nas políticas identitárias. Muita gente vem falando disso. Quando a política sai do lugar e toma todos os lugares, ela fica autoritária.
DEMÉTRIO MAGNOLI
Nas democracias liberais, a ideia é que a política ocupa um espaço limitado, que é aquele espaço da concorrência entre partidos basicamente durante eleições. E o resto da vida das pessoas se dá fora da política. Com a hiperpolitização, toda a vida das pessoas se dá dentro da política. E, ao dizer que se dá dentro da política, quer dizer que toda a vida das pessoas passa a ser uma concorrência pelo poder e isso produz um tribalismo permanente e contribui ou gera uma polarização política permanente, porque todas as pessoas estão, em tese, inseridas numa tribo política e a política ocupa todos os dias do ano. É muito chato.
Linhas Cruzadas (10/09/2026)
Essa história de que todo mundo participa da política é invenção da democracia moderna, nem é da ateniense.
- Luiz Felipe Pondé, Linhas Cruzadas (10/09/2026)
Don't you get anxious about whether you're going to see these people again or not? I mean, it can be very painful.
- Judy, Nighthawks (1978)
And all that time I would say "You mustn't be jealous, you mustn't get possessive, you have no rights on this person whatsoever." But I was getting really jealous, I just, I couldn't sleep at night because of it.
- Jim, Nighthawks (1978)
Subscribe to:
Posts (Atom)