some things take so long
- nina simone
                                                         na minha nuca
no meu cotovelo, na minha arcada dentária
                              no túmulo da minha boca
                                                                          palco de ressureições
inesperadas

- ferreira gullar
What is this terror? what is this ecstasy? he thought to himself.
What is it that fills me with extraordinary excitement?

- Virginia Woolf
diverso, móbil e só
- fernando pessoa
silencioso qual rasto de leitura sem palavra
- eduarda chiote
despe-te
não há outro caminho

- eugénio de andrade
Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

- Jorge de Lima
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
- Manoel de Barros
Já disse agora,
     eu que já disse nunca

- Paulo Leminski
Sometimes,
I fall more in love with an echo than the real thing.

- Shinji Moon
Café filosófico

A preguiça e a melancolia
com Oswaldo Giacóia Júnior

São os ociosos que transformam o mundo,
porque os outros não têm tempo algum.
- Albert Camus

Os sete prazeres capitais:
Orgulho
Ira
Inveja
Avareza
Gula
Preguiça
Luxúria

Faço, logo existo.
E quem nada faz, nada é?

Acídia

Os pecados capitais são assim chamados por gerarem outros vícios.

Giorgio Agamben classifica a acídia como uma catástrofe antropológica que se abate sobre os homens religiosos.

A acídia é uma pintura muito próxima da lassidão, da indolência - o que a aproxima da melancolia. A melancolia é a tal catástrofe, já que ela gera tédio, desinteresse, fastio, asco pelo esforço.

A acídia tem duas filhas: a melancolia e a preguiça.

São Tomás de Aquino diz que a tristeza é, entre todas as paixões da alma, a que mais causa dano ao corpo.

Os melancólicos desejam com veemência os prazeres para expulsar a tristeza - porque o corpo deles se sente como que corroído pelo humor mau.

No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio. Na melancolia, é o próprio ego.
- Sigmund Freud

Preguiça é a vontade de fazer nada, a inação.
A melancolia é a inércia perante a falta de sentido e perante a miséria da vida.

O último-homem (de Nietzsche) é tanto o signo quanto a alegoria de uma visão fantasmagórica contrária ao seu super-homem. O último-homem demonstra uma das mais profundas inquietações de Nietzsche - a compaixão pelo homem moderno e o asco pela sociedade contemporânea.

O homem moderno vive uma contradição, uma dilaceração entre duas aspirações: a necessidade da luta pela sobrevivência e a necessidade de elevação espiritual.

Modernidade - travestir a necessidade de reprodução da vida com uma certa tintura de nobreza. Daí nascem a dignidade do trabalho e a dignidade do homem, tendo estas duas que estar essencialmente relacionadas.

Dividido na contradição entre lutar pela sobrevivência e a necessidade de elevação espiritual, o homem moderno acaba por associar os valores de nobreza ao trabalho e relegar a preguiça a um status vergonhoso de marginalidade.

Nietzsche valoriza o ócio.

Existir significa agir sem qualquer finalidade utilitária. Existir significa gastar, não conservar, aceitando a sua própria dimensão trágica da morte.
- George Bataille

A barbárie civilizada.

A arte é o maior tipo de individualismo na sociedade.

A gaia ciência de Nietzsche (trechos em pdf)

A ética tem uma relação profunda com a arte.

Nós somos também aquilo que não produzimos. Nos constroem também os momentos em que decidimos também nada fazer.
cumprias distâncias em mim
- carpinejar
Let me do me
And you do you
Thank you

- Aweitssavannah
se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
- renata pallottini




Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.

- Ricardo Reis


Depois
A. Melo

de Gilberto Mendonça Teles:

tudo no selfie é disfarce

de Clarice Lispector:

todos os selfies são um retrato de Monalisa
You and I are more
than you and I
because
it's we

- e. e. cummings
for whatever we lose
(like a you or a me)
it's always ourselves
we find in the sea

- e. e. cummings
Ainda adoro os olhos teus perjuros,
Ainda amo a quem me mata, ainda acendo
Em aras falsas, holocaustos puros.

- Nicolau Tolentino
tudo no texto é disfarce
- gilberto mendonça teles
tu estás doente meu amor, por quê?
falta-te o sol, a luz, o meu sabor?

- judith teixeira
Não tenhas medo, minha amiga. A ponte
que liga a vida e a morte como um grito
de amor, cobriu-se agora de boninas

- Odylo Costa Filho