Ela sobreviveu. Conseguiu sobreviver porque não acreditava em sofrimento. Encarou com uma indignação surpreendente o fato desagradável de sentir dor e se recusou a levá-lo a sério. O sofrimento era um acidente sem sentido e não fazia parte da vida tal como ela a concebia. Nunca permitiria que a dor se tornasse importante. Não conhecia nenhuma palavra que designasse aquela espécie de resistência, nem para a emoção da qual a resistência provinha. Mas as palavras que equivaliam a ela em sua mente eram: isso não conta - não é para levar a sério. Sabia que eram essas as palavras, mesmo nos momentos em que não restava nada dentro de si senão a vontade de gritar, e sentia desejo de perder a consciência para não saber que o que era verdade era mesmo verdade. Não é para levar a sério - uma certeza irremovível dentro de si repetia: a dor e a feiura nunca devem ser levadas a sério.

- Ayn Rand, A revolta de Atlas, sobre Dagny