ANDRESA BONI
Para os artistas e pensadores do movimento romântico, iniciado no século XVII, o conceito de liberdade estava ligado à subjetividade, às emoções, à individualidade. A liberdade romântica poderia ser entendida como transgressora, Pondé?

LUIZ FELIPE PONDÉ
Muito. Inclusive o movimento romântico é muito responsável por fetichizar a transgressão como liberdade. O movimento romântico é de mal-estar com a modernização. Então, a liberdade que os românticos defendem, de cara, é a liberdade de "eu não ter que ser moderno", no sentido de ser eficiente, produtivo, quantitativo, funcional; porque este conjunto de funções vai convalescendo na modernização para se transformar em um verdadeiro contrato social prático que a gente sente na pele até hoje: tem que produzir, tem que bater meta, tem que entregar, tem que ter custos. Os românticos se sentem exilados do mundo, pois eles se sentem pessoas de um outro que acabou - apesar deles serem deste, porque eles vivem nesta época. Isso é um fenômeno moderno, de qualquer jeito.