Querido diário,

Hoje, ao ler um trecho do livro Nadando no Escuro de Tomasz Jędrowski, “Uma foto de Isabelle Adjani estava enfiada entre a moldura e o vidro do espelho”, lembrei do dia em que fui ao cinema com minha mãe assistir Camille Claudel. Algumas lembranças sobrevivem assim: comprimidas entre superfícies, não inteiras, apenas a textura de um gesto, a curva de um perfil. A ausência trabalha devagar, desgastando contornos, aprofundando sulcos, polindo o que ficou — até que a saudade deixe de ser imagem e vire contínuo.

- AR