- Lillian-Yvonne Bertram
CORDELIA
Once Satan is gone from this world, we will feel a peace we have never known,
a freedom too.
QUEENIE
You really think that, once Satan is gone, humankind is just gonna change?
CORDELIA
I choose to believe in our better version, yes. I think it's important to imagine a world
wihout evil. No hunger, no war, no child going to sleep afraid.
QUEENIE
Well, Pollyanna, you live in a pink cloud very, very far away from reality,
but I'll play along. There'll be no disease or bigotry. Maybe if Satan is gone, everyone
will just get out of each other's way and do their own thing.
American Horror Story, S13E12
LEANDRO
Por que eu, um jovem que tem TikTok, devo ler Nietzsche?
SCARLETT
Para sair da zona de conforto, antes de mais nada. Sair da zona de conforto porque nós nos tornamos cada vez mais indivíduos gregários.
Os valores que norteiam a nossa conduta, talvez nem tenhamos distância para saber quais são.
Mas é o mainstream. O que pensamos do mundo também é o mainstream.
Não temos o ímpeto de questionar e avaliar o que pensamos, o que sentimos, como agimos. E, para tanto, é preciso um mínimo de recuo e distância, porque, imersos como estamos, não temos condições, não temos justamente o ponto de vista necessário para podermos fazer esse questionamento e essa avaliação.
O que nós temos aqui é a expressão de uma certa configuração pulsional. São impulsos que nos tomam e que tomam a palavra. Na verdade, não há um eu — o que nós temos são configurações pulsionais que se sucedem, sendo todas elas temporárias e efêmeras. E é isso que nós temos no livro, em Assim Falou Zaratustra.
THAÍS
E Pondé, por que que você acha que essa ideia do Schumpeter, de reduzir a eleição a uma competição por votos, é tão chocante para algumas pessoas?
PONDÉ
Porque a eleição tem uma metafísica associada a ela.
THAÍS
Uma aura?
PONDÉ
Uma aura de que é o momento essencial da democracia, onde os eleitores escolhem seus representantes. E esses representantes vão oferecer projetos, propósitos e vão discutir com o objetivo de ganhar seu voto.
Nessa definição procedimental do Schumpeter, ele diz: “Eu estou falando sobre o procedimento que leva X a ser soberano”. Esse procedimento é: ganhou a competição por votos.
Ah, ele era muito bom, ele tinha projetos, ele falava melhor do que os outros, ele é mais honesto. Não importa, ele não ganhou a competição por votos. Quem ganhou vai ser o soberano.
Ah, mas quem ganhou, de repente, usou, prometeu coisas absurdas, foi populista, não sei o quê. Não importa.
Quem ganhou a competição por votos é o soberano. É uma definição que vai contra as nossas melhores expectativas políticas, vai contra a nossa expectativa da racionalidade do sistema. Não é racional, é número.
THAÍS
Então o que choca é o pragmatismo atroz.
Linhas Cruzadas (outubro de 2026)
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